sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

pode-se viver muito bem



Pode-se viver muito bem
sem nada mais do que estes privilégios quotidianos:
uma carta na caixa do correio, o barulho de uma vaga,
o azul sobre a planície, as palavras de um poema.

O universo reduzido a poucos vínculos
ao trajecto habitual
da sua própria morte.

Pode-se muito bem não ser mais

do que uma aventura de átomos e de questões insignificantes.

Hélène Dorion – “Pode-se viver muito bem…"

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

da beleza da desordem


Quero falar das coisas tristes. Das coisas lindas. Sem ter que seguir uma linha, uma ordem.

Estava deprimida ontem. Hoje não. Hoje quero abraçar o mundo inteiro e me botar no colo. Assim mesmo – mãos e coração.


domingo, 5 de dezembro de 2010

;)



às vezes, a vida surpreende a gente.

foto: Sandrine Strade Boulet (http://www.sandrine-estrade-boulet.com). (obrigatório conferir!)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Out of Sight

lindo, lindo. ganhei de presente hoje pra salvar meu dia.

domingo, 17 de outubro de 2010

o samba e o vento



E o propósito disso tudo? Perguntei.

Sem pedir licença (cerimônia é perder tempo, dizia), o olhar dele percorreu os objetos coloridos na estante. Levantou, acendou um cigarro e parou em frente à vista calma da janela lá de casa. Ele, que sempre me ensinou a ter calma, parecia inquieto.

A dúvida basta pra mim. Disse ele. Esse misto de desconforto e liberdade é o que eu sei viver. O incômodo talvez seja mesmo a única prova de que a gente existe, no aqui, no agora.

Vamos almoçar? E me deu aquele sorriso de menino.

Entendi que não era a fome ou as minhas perguntas que o aborreciam, mas o fato de eu querer, sempre, todas as respostas.

Antes de sair, ligou o som e me deixou de presente o disco novo de uma amiga do Rio que já não via há tempos.

E ali ficaram: o samba, o vento, e eu.


Ele, que tanto sabe das coisas, preferiu o mar.


Foto: arquivo pessoal

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Conversa de bêbado


Pois já era hora. Urgência eu tinha. Pressa mesmo. As explicações, entretanto, – todas inúteis, preciso destacar – multiplicavam-se como fungo. E não é por falta de conhecimento não. Sei, há anos, que o que é simplesmente é. Por algum motivo, contudo, a necessidade de me justificar toma conta dos poros, sob os olhos exigentes e curiosos dos poucos companheiros de bar. Uma cerveja aqui, outra ali, uma perguntinha aqui, outra ali, e as palavras a flutuar. Rima barata, clichês, porquês e mais um copo. E nada do que expresso e conto é o que eu penso ou sinto. Conversa de bêbado, pois.


E estava aqui a saracotear poetas, quando encontrei quem há de me salvar dessa ressaca da lógica:


“Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consanguinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.

Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida”.


Álvaro de Campos

Foto: arquivo pessoal. (numa barraca de lona, essa senhora vive há anos em frente à Casa Branca, em Washington. sua vida é um protesto contra a indústria armamentista).


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

I and the village

"It seems to me that art is first and foremost a condition of the soul".
Marc Chagall