terça-feira, 20 de janeiro de 2009

lucro

"Viver plenamente cada segundo é aceitar morrer cada segundo. Tudo aquilo a que você não renuncia vira motivo de temor. Tudo aquilo que você se apega, retém-no, aprisiona-o. Se quer se liberar, relaxe. (...) Se parássemos de comparar, encontraríamos a inesgotável riqueza do que nos é dado e as virtualidades infinitas de cada situação.(...)Todo desprendimento, toda renúncia, é uma pequena morte. Devemos aceitar morrer. Morrer da morte das imagens. Perecer da morte do que nos impede de viver. Morrer da morte do ego".

Pierre Levy

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A arca

Parece milagre
Um cerro sem praça
Arca
Do Borel
Emplaca
Um gol de placa
Menino soturno
Criança
Do mundo
Da espada
Da faca
Da macacada

Taciturno
Camarada

Acorda no chute
Embate
De mundos
Assunto
Da molecada
Corre pra urbe
Em casa
A maca
Da mulherada

Presépio de cobre
Dinheiro de Marte
Dom
Da batucada
Revida o chute
Dia sem nuvem
E o som
Da cavalhada

Foto: Henri Cartier-Bresson

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Visita

Entrei
Sentei
Desejei
Que o oceano a embalar seu canto
Venha soprar os versos meus

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Voltas

Não gosto dos excessos. Talvez por isso estime tanto uma boa imagem. O pouco que perturba é o que me interessa de fato. Nem sou assim tão minimalista, mas me cansam os exageros que banalizam histórias e sentimentos. Prezo pela economia, num mundo onde se supervaloriza o muito. Em meio ao turbilhão de compromissos, palavras e compras, perdemos o intangível. E quase tudo o que realmente importa tem um quê de inefabilidade.



terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Ano Novo

Entre conversas e garfadas, Bia já nem ouvia mais nada. Era só ela e o pensamento. Fazia tempo que ela não parava. Até porque parar, pra ela, significava colocar tudo na balança, analisar, refletir. E ela andava numa onda de deixar tudo correr... Era mais fácil assim. Mas dessa vez estava sendo diferente. Aquele momento era sim de isolamento, mas sem a habitual check list dos deveres cumpridos e por cumprir. Bia agradeceu, sem saber para quem ou o quê. Apenas agradeceu. A ansiedade acalmou, os pensamentos (que não param nunca) trouxeram à memória cheiros, músicas, caminhos, cores, texturas, histórias...
Bia descobriu que existe mesmo um lugar atrás do pensamento.
Foto: Vanessa Amaral (caminito, Arg)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Balanço

Nem sei ao certo quem sou. E, de verdade, não me importo.
O que quero hoje amanhã já se fez fumaça. O fulgor de ontem decreto por vencido sem me dar conta. E, assim, cada dia nasce como descoberta e (por que não?) esperança.

Para 2009, quero saber ainda menos e experimentar muito mais. Tudo com muito respeito – a mim, sempre.

Feliz Natal e um excelente ano novo para todos!


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Vida-a-vida IV

- Você acredita que Mariazinha largou João? Cancelou até o casamento para ir juntar-se àquele taxistazinho de origem duvidosa – disse dona Eulália.

- Ah, mamãe, não se preocupe. Cada um arca com as conseqüências de seus próprios atos. Daqui a alguns anos, quando a paixão passar, ela vai dar valor ao que jogou fora, mas aí já não terá mais volta.


Volta e meia, nas rodas de família, surge o assunto ´escolhas´. Normalmente, o tema vem acompanhado de uma carga incrivelmente negativa e pesada. “Cuidado com o que você faz da sua vida para não se arrepender depois” é uma assertiva muito repetida por pais, avós, tios, tias, e por aí vai. Não é que eu pregue a total anarquia ou uma rotina desmedida, sem propósitos, mas ninguém consegue extrair da vida toda a incerteza que lhe é inerente. O não-saber é real, faz parte. Os arrependimentos multiplicam-se e, na mesma proporção, as possibilidades de novas escolhas. Então, podíamos tentar ser mais leves, hoje, ao menos. Amanhã (com as variáveis de amanhã) fazemos tudo novo, de novo.